A 31ª Bienal de São Paulo como exposição

Conforme a data de abertura da 31ª Bienal se aproxima, o foco se desloca para a construção da exposição no Pavilhão do Parque Ibirapuera e para o trabalho com os artistas e participantes convidados e suas novas produções. Neste estágio é possível imaginar como os projetos e as obras de arte serão encaixadas no espaço e como poderão se conectar umas às outras.

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Projetos, obras de arte, arquitetura e participantes

1. Um pouco sobre os ‘projetos’

A parte expositiva da Bienal terá mais de 70 projetos, produzidos por cerca de 100 participantes e totalizando mais de 250 obras de arte. A palavra ‘projeto’ pretende criar uma distância para a tradicional ideia de uma obra autônoma feita num estúdio, por um artista. Usando essa palavra, podemos introduzir uma variedade maior de práticas culturais contemporâneas e incluir pessoas que trabalhem em outras disciplinas, como educadores, sociólogos, arquitetos e performers. O termo também serve para encorajar a colaboração e os caminhos interdisciplinares de trabalho entre os participantes da Bienal. Cada projeto é uma contribuição independente, mas pode consistir de várias obras, de autoria individual ou coletiva. Mais da metade dos projetos foram feitos especialmente para a Bienal, muitos por artistas internacionais que produziram obras em resposta à residência na cidade a à oportunidade de viajar mais ainda no Brasil.

2. Arquitetura: o pavilhão dividido

Um aspecto crucial da 31ª Bienal é a maneira como o Pavilhão Ciccillo Matarazzo é compreendido por sua divisão em diferentes áreas, cada uma com sua própria lógica arquitetônica e suas qualidades particulares. O térreo é chamado de Parque e é conectado e aberto para a paisagem ao redor, para ser usado como espaço para recepção, eventos e encontros. A Rampa se adapta à verticalidade e à circulação da principal via de acesso do Pavilhão (a Rampa), para criar uma série de espaços curvilíneos, ligados por uma enorme espiral. Aqui, as obras de arte e os projetos são expostos sem o uso de salas fechadas, e se relacionam tanto verticalmente quanto horizontalmente. As colunas articulam o maior espaço contínuo do Pavilhão, no segundo piso, dividindo-o em densidades com áreas de luz e sombra, ou som e silêncio, para criar uma ação recíproca de experiências. Uma pequena área central isola alguns manifestos artísticos e as três diferentes áreas umas das outras.

3. Densidades das obras

A interpretação da estrutura arquitetônica básica do pavilhão também serve como principal mecanismo organizacional da instalação de exposições e de projetos relacionados um ao outro. O planejamento por trás da instalação foi feito para reunir ‘densidades’ que explorem os diferentes aspectos das ‘coisas que não existem’, referidas no título. Essas densidades são construídas ao redor de preocupações compartilhadas dos projetos, criando uma sensação de possível interconexão entre diferentes espaços e tempos. Por exemplo, a área do parque possui as obras mais visadas pelo público, assim como espaços para encontros e discussões. No primeiro piso da rampa, o foco muda para os espaços urbanos compartilhados. O segundo piso reúne obras relacionadas à acumulação de conhecimento e novas possibilidades para a contação de histórias. O terceiro se relaciona com as raízes em comum e as formas de espiritualidade. Finalmente, nas colunas, é forte a sugestão de uma jornada, assim como a presença de projetos que lidem com a ideia de trans – e a mudança como caminho para expressar a aspiração de uma nova sociedade.

4. Artistas e projetos: Encarando o presente

Enquanto o movimento modernista possui uma história vital e afetiva no Brasil, ele não mais representa o presente em que vivemos. Portanto, o critério estético do modernismo e a ambição pelo progresso não são mais proeminentes na 31ª Bienal. Enquanto alguns projetos irão mencionar o período, na maioria dos casos o modernismo simplesmente deixa de ser uma força, usada pelos artistas como alicerce de pesquisa e trabalho. Essa abordagem do passado recente significa que uma diferente hierarquia de fontes e inspirações pode ser criada; uma fonte que reconheça as possibilidades do pré-moderno e do não moderno, ou da cultura espiritual e popular, para oferecer diferentes leituras de condições contemporâneas. Isso também significa que as influências da imaginação coletiva, do ativismo social e do conflito político são tão significativas quanto a herança da prática artística para os artistas da 31ª Bienal.

5. Artistas e participantes

Abaixo segue a lista de artistas e participantes convidados para a 31ª Bienal.

Agnieszka Piksa

Ana Lira

Anna Boghiguian

Armando Queiroz

Arthur Scovino

Asger Jorn

Bik Van der Pol

Bruno Pacheco

Clara Ianni e Débora Maria de Silva

Contrafilé com Sandi Hilal e Alessandro Petti

Danica Dakic

Éder Oliveira

Edward Krasinski

El Hadji Sy

Graziela Kunsch e Lilian Kelian

Halil Altindere

Imogen Stidworthy

Ines Doujak e John Barker

Jo Baer

Johanna Calle

Juan Carlos Romero

Juan Downey

Juan Pérez Agirregoikoa

Leigh Orpaz

MAPA Teatro

Marta Neves

Mujeres Creando

Museo Travesti del Perú

Nilbar Güres

Nurit Sharett

Pedro G. Romero

Prabhakar Pachpute

Romy Pocztaruk

Ruane Abou-Rahme e Basel Abbas

Sheela Gowda

Tamar Guimarães e Kasper Akhøj

Thiago Martins de Melo

Tony Chakar

Val del Omar

Vivian Suter

Virgínia de Medeiros

Voluspa Jarpa

Walid Raad

Wilhelm Sasnal

Yael Bartana

Yochai Avrahami

Yuri Firmeza

 

Imagem: Modelos de Cartolina para a 31ª Bienal | Cortesia: Estudio Oren Sagiv